Brasil: Delegado diz que não trata ataque como tentativa de homicídio

delegado da Polícia Civil Hélder Lauria disse nesta quarta-feira (28) que investiga o ataque à caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Paraná como disparo de arma de fogo com dano provocado.

Na terça, o delegado adjunto de Laranjeiras do Sul Fabiano Oliveira chegou a dizer que o caso estava sendo investigado como tentativa de homicídio, e que pelo menos dois suspeitos estariam envolvidos.

Ao G1, Lauria, que é titular da delegacia, negou as declarações do adjunto. Ele disse que as informações foram dadas de maneira desencontrada. “As informações são superficiais e não condizem com a realidade da investigação.”

“Nós estamos tratando como disparo de arma de fogo e dano. Então, não estamos tratando como tentativa de homicídio por enquanto” – delegado Helder Lauria

O procurador de Justiça Olympio de Sá Sotto Maior Neto disse que determinados atos contra a caravana podem vir a ser qualificados como “tentativa de homicídio”.

Ele citou o termo ao ser questionado nesta manhã sobre a diferença entre os episódios de violência recentes (os tiros, o arremesso de ovos e os ataques nas redes sociais). O procurador destacou que há tipos penais específicos para cada crime.

“Há tipos penais específicos em relação à incitação do crime e há muito disso nas redes sociais. Por outro lado, há a apologia dos crimes que já foram praticados. Há as ações concretas, direcionadas à prática de lesões corporais, quando se quer estourar os pneus de um ônibus. Pode, enfim, lesionar até a tentativa de homicídio porque os atos podem culminar com a morte de alguém, assumindo-se o risco, portanto, de produzir a morte”, explicou Sotto Maior Neto.

Advogados pedem punição

O procurador comentou o caso em entrevista à RPC depois que os Advogadas e Advogados pela Democracia, coletivo composto por juristas de todo o Brasil, entregaram um documento a ele, pedindo que os envolvidos nos ataques à caravana de Lula pelo Paraná sejam presos.

O coletivo de advogados disse que abriu um canal na internet, por meio do qual afirma ter recebido mais de 100 denúncias sobre os ataques. O grupo de advogados chegou, assim, a prints de um grupo de Whatsapp, batizado de “Caravana contra Lula 26/03”.

Os prints mostram mensagens em que os participantes combinam como executar os ataques. Um deles sugere trocar os ovos por balas de borracha e munição letal porque “vai ser bem mais eficaz”.

Outro integrante diz que vai ao Paraguai comprar um fuzil. Outra mensagem afirma que o grupo deve aproveitar a noite para “meter bala” e mirar nos pneus e motor.

Os advogados pedem, então, “a urgente identificação de todos os referidos noticiados” através dos seus números de telefone/Whatsapp.

Eles querem, ainda, que a denúncia seja levada à Polícia Federal (PF), já que, segundo eles, “os crimes políticos são de competência da Justiça Federal”.